COOPERA Relatório de Avaliação
Instituto de Física
RECOMENDAÇÕES E COMENTÁRIOS (SUMÁRIO)
A Comissão recomenda fortemente que seja dada continuidade ao processo de reforma curricular e da iniciativa de integração com as Engenharias e outros Institutos do CCMN, dois aspectos muito positivos para o Instituto e para a Universidade. Uma ênfase especial deve ser dada à avaliação dos resultados dessas reformas, inclusive com a avaliação permanente e conseqüente do desempenho dos docentes, sem a qual não há possibilidade de melhoria real dos cursos de graduação.Esta avaliação deve ser feita no universo dos estudantes de todas as áreas que freqüentam os cursos oferecidos pelo Instituto. A Comissão sugere que o Instituto tome a iniciativa de discutir com as outras áreas o conteúdo e os processos de avaliação da reforma curricular.
Merece menção especial a existência de um curso noturno de licenciatura, que dê oportunidade a pessoas que trabalhem durante o dia de estudarem à noite. Aparentemente, entretanto, há graves problemas de segurança que não têm sido levados em conta pela Administração da Universidade. Dada a importância desse curso e os óbvios problemas de segurança do campus, especialmente à noite, a Comissão recomenda que eles (iluminação, pessoal de segurança etc.) sejam resolvidos com urgência.
Claramente, os estudantes do ciclo básico se encontram um pouco perplexos com a reforma curricular, especialmente por que esta foi implantada apenas pela metade, em virtude de problemas surgidos com a Escola de Engenharia. Seria importante que o corpo docente se debruçasse com atenção sobre esses problemas de relacionamento com os estudantes de graduação e, em especial, desenvolvesse com urgência uma estratégia ativa para lidar com o altíssimo grau de evasão.
A Comissão considera que a desvinculação de disciplinas e Departamentos, iniciada em 1994, é muito positiva, em particular por ter possibilitado o enxugamento do currículo. No entanto, alerta para o fato de que a inadequação das estruturas executivas e deliberativas do Instituto ao novo modelo pode prejudicar essa meritória iniciativa.
A Comissão recomenda fortemente que a Universidade e o Instituto façam um esforço (talvez heróico) de adequar suas instâncias executivas e deliberativas às demandas de uma organização moderna, eficaz e eficiente. Este ainda não é o caso da UFRJ.
Cabe aqui ressaltar a importância de que se reveste a questão da infra-estrutura física do Instituto. Esta é lastimável sob praticamente todos os aspectos - desde espaço físico até instalações elétricas, passando pela utilização de espaços inadequados para a instalação de equipamentos. A Comissão suspeita de que não há muito exagero em dizer que as pessoas, freqüentando e trabalhando nas dependências do Instituto, correm riscos de acidentes graves. A construção de um prédio próprio para o Instituto é urgentemente necessária.
A Universidade deve se empenhar em prover a infra-estrutura adequada, pois há o risco de que equipamentos, muitas vezes de alto custo, não possam ser utilizados em sua plenitude. Por outro lado, cabe ao Conselho Científico fazer uma corajosa avaliação da utilização do espaço existente, buscando estabelecer uma correlação positiva entre espaço de laboratório e produtividade científica, em particular, tendo em vista os novos projetos, tanto nas áreas de Óptica e Condensação de Bose quanto na área de Física Atômica (acelerador).
Há necessidade de uma avaliação externa específica dos programas científicos. A avaliação externa, na visão da Comissão, é um instrumento necessário e importante, mas requer, também, a existência de mecanismos internos permanentes de controle da qualidade.
Na opinião da Comissão, é fundamental que a Administração da Universidade dote os Departamentos de meios reais de cobrança de desempenho, inclusive com a perda da dedicação exclusiva por docentes cuja produtividade for insatisfatória, como já é feito em outras instituições. Sem avaliação e sem meios administrativos de tornar as avaliações conseqüentes, é impossível imaginar como a instituição possa desenvolver um projeto acadêmico sério.
Na opinião da Comissão, o relatório de auto-avaliação deixou muito a desejar, tendo sido entregue no último momento, já iniciada a visita e, aparentemente, não refletindo uma verdadeira auto-avaliação do Instituto. Entre outros itens necessários para uma boa avaliação, a Comissão destaca, especialmente, relatórios atualizados dos Departamentos e dos grupos de pesquisa, que não lhe foram fornecidos.
A impressão geral da Comissão é de que o Instituto de Física enfrenta dificuldades enormes e de que realiza um trabalho respeitável nessas circunstâncias. O Instituto têm um histórico de realizações em pesquisa e na formação de recursos humanos, que o destaca. O potencial de desenvolvimento futuro é excelente, mas é imperativo que seus pesquisadores e docentes consigam obter condições de trabalho condizentes com a missão e os objetivos da instituição.
ROTEIRO
1 - GRADUAÇÃO
1.1 - Analise os objetivos propostos pela Unidade para o(s) curso(s) de graduação.Estão em curso alterações curriculares importantes, porém, como o processo não foi completado, é impossível julgar sua eficácia. Ficou claro, entretanto, que ainda há um longo caminho a percorrer. Essas alterações podem ser resumidas em três níveis:
Curso Básico - o objetivo é o de atualizar o currículo, reduzir a carga horária (sobretudo para os alunos de engenharia) e incrementar a parte experimental. A atualização do currículo está em curso, mas já houve uma redução da carga horária, o que a Comissão considera muito positivo. Houve problemas para a implantação dessas reformas, em especial com as Engenharias, o que levou, se não a sua paralisação, ao menos a uma implantação parcialmente interrompida, criando problemas para os estudantes. O sistema de aulas magnas seguidas de aulas de fixação não está, na opinião de vários estudantes, funcionando a contento. É preciso que haja uma maior integração didática entre o conteúdo das aulas magnas e o das aulas de fixação. Isto pode ser um problema de dores de parto, solúvel com maior experiência do sistema ou pode dever-se a dificuldades intrínsecas do modelo - é preciso acompanhá-lo e avaliá-lo cuidadosamente para decidir.
Curso Profissional - o principal objetivo é a atualização do currículo, racionalizando sua estrutura e modernizando as ementas. Na proposta de reforma, se prevê um aumento das disciplinas experimentais, considerado positivo pela Comissão. Entretanto, a efetiva implantação deste Programa fica prejudicada por problemas de infra-estrutura, que vão desde espaço físico até fornecimento de energia elétrica. É importante que as aulas experimentais tenham uma duração de quatro horas, a fim de que os estudantes tenham a oportunidade de, efetivamente, realizar um experimento e não apenas seguir um receituário pré-determinado.
Ou seja, uma reforma mais radical (ainda em estudo), a qual visa uma maior integração com as Engenharias, com o objetivo de modernizar o ensino das disiciplinas básicas daquelas, visando dar ao futuro profissional uma base científica mais sólida, que o capacite para acompanhar, ao longo de sua carreira, as rápidas mutações tecnológicas.
Por outro lado, essas mudanças deverão ter, igualmente, um reflexo sobre o currículo de Física, buscando preparar profissionais para um mercado de trabalho mais amplo do que meramente o acadêmico.
A Comissão recomenda fortemente que seja dada continuidade ao processo de reforma curricular e de integração com as Engenharias e que uma ênfase especial seja dada à avaliação dos resultados dessas reformas, com uma avaliação permanente e conseqüente do desempenho dos docentes, inclusive pelos próprios estudantes, sem a qual não há possibilidade de melhoria real dos cursos de graduação.
Merece menção especial a existência de um curso noturno de licenciatura, que dê oportunidade a pessoas que trabalhem durante o dia de estudarem à noite. Aparentemente, entretanto, há graves problemas de segurança que não têm sido levados em conta pela Administração da Universidade. Dada a importância desse curso e os óbvios problemas de segurança do campus, especialmente à noite, a Comissão recomenda que eles (iluminação, pessoal de segurança etc.) sejam resolvidos com urgência.
1.2 - Analise a(s) estrutura(s) curricular(es), observando, entre outras coisas:
1.2.1 - Pertinência da estrutura curricular e das ementas para a formação do profissional\cidadão propostos.
Como já dito, há uma reforma em curso, que parece estar na direção correta. Ainda é cedo para avaliá-la.
1.2.2 - Atualidade do curso.
O curso precisa ser flexibilizado, tanto em sua estrutura curricular quanto nas ementas oferecidas, visando também preparar profissionais para um mercado de trabalho mais amplo do que o mercado acadêmico. Há consciência disso por boa parte do corpo docente com responsabilidades acadêmicas. A Comissão acredita que, dadas as condições adequadas de infra-estrutura e de avaliação, as mudanças em andamento poderão ser muito positivas.
1.2.3 - Dimensionamento da carga horária.
A carga horária redimensionada pelas alterações recentes é adequada.
1.2.4 - Pertinência da bibliografia utilizada.
Não houve tempo para analisar a bibliografia. Esta parece ser a bibliografia normalmente adotada em cursos similares.
1.3 - Analise a metodologia de ensino\aprendizagem adotada, observando, entre outras coisas:
1.3.1 - Pressupostos educacionais do processo de ensino\aprendizagem.
Não houve tempo para analisar detalhadamente esses aspectos; entretanto, merece menção a experiência do LADIF (Laboratório Didático de Física), o qual, com meios relativamente modestos, está realizando um trabalho importante de desenvolvimento de meios didáticos (por exemplo, para as aulas magnas) e de extensão (por exemplo, cursos para professores de ensino médio, visitas de estudantes da escola secundária).
1.3.2 - Técnicas e recursos utilizados (laboratórios, recursos audiovisuais, etc).
No LADIF, que deve ser apoiado, há o desenvolvimento e o emprego de recursos audiovisuais modernos.
A Comissão considera importante o apoio ao Laboratório de Física Moderna como instrumento de atualização dos meios didáticos e aperfeiçoamento do ensino experimental na graduação.
1.3.3 - Relação entre professores e alunos.
Os alunos de graduação queixam-se do relacionamento com os professores e da falta de mecanismos eficazes para lidar com maus professores. Esses comentários devem ser relativizados pela amostragem. Com a Universidade em greve, apenas uma dezena de estudantes de graduação - todos envolvidos com Programas de Iniciação Científica no Instituto - compareceram à reunião com a Comissão. Em futuras avaliações, deveriam ser ouvidos, também, os estudantes de Engenharia e de outros cursos aos quais o Instituto atende no ciclo básico.
Claramente, os estudantes do ciclo básico se encontram um pouco perplexos com a reforma curricular, muito especialmente por que esta foi implantada apenas pela metade, em virtude de problemas surgidos com a Escola de Engenharia. Seria importante que o corpo docente se debruçasse com atenção sobre esses problemas de relacionamento com os estudantes de graduação e, em especial, desenvolvesse com urgência uma estratégia ativa para lidar com o altíssimo grau de evasão.
1.3.4 - Orientação acadêmica (aspectos que vão para além da sala de aula, como, por exemplo, a orientação curricular, etc.).
Praticamente inexistente, segundo os alunos de graduação. A Comissão de Orientação acadêmica, segundo os alunos, atua de forma muito esporádica e burocrática. De qualquer modo, há um sério problema de percepção da orientação (ou ausência desta) pelo corpo discente, que merece atenção por parte dos professores.
1.4 - Analise os instrumentos de avaliação.
Não houve tempo para analisar os instrumentos de avaliação dos alunos. Por outro lado, há necessidade de criação de instrumentos adequados de avaliação de docentes pelos alunos.
2 - PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
2.1 - Qual é, em síntese, a proposta acadêmica do(s) programa(s)? Comente.A proposta do Instituto pode ser resumida nas palavras de um docente: transformar o Instituto de Física em uma das melhores instituições de pesquisa da América Latina. Por outro lado, muitos docentes se manifestaram no sentido de que a Instituição deve, também, se preocupar com a formação de recursos humanos em áreas interdisciplinares. Isto não está em contradição com o fato de o Instituto ser um destacado centro de excelência em pesquisa.
Como no caso do ensino básico, a impressão da Comissão é de que elementos importantes para o sucesso existem, sobretudo na forma de grupos de pesquisa de muito boa qualidade, mas o objetivo almejado ainda está distante. Será preciso perseverança e apoio institucional consistente e sério para que ele seja alcançado.
A Comissão sugere que seja feito um maior esforço para atrair para a Pós-graduação estudantes de outras instituições. Apesar das dificuldades atuais, a Comissão acredita que a existência de bons projetos científicos pode funcionar como importante ator.
2.2 - As linhas de pesquisa desenvolvidas são consistentes com o projeto?
A impressão da Comissão, formada através da visita a vários laboratórios e leitura de alguns relatórios de pesquisa, é que a situação é muito heterogênea. Há grupos produtivos e outros bem menos. Esta situação reflete, em parte, os sérios problemas de infra-estrutura e de financiamento enfrentados pela Instituição, mas é, igualmente, reflexo da ausência de mecanismos permanentes e consistentes de avaliação e cobrança de desempenho.
Na opinião da Comissão, é fundamental que a Administração da Universidade dote os Departamentos de meios reais de cobrança de desempenho, inclusive com a perda da dedicação exclusiva por docentes cuja produtividade for insatisfatória, como já é feito em outras instituições. Sem avaliação e sem meios administrativos de tornar as avaliações conseqüentes, é impossível imaginar como a Instituição possa desenvolver um projeto acadêmico de qualidade.
Há, no Instituto, consciência desse problema e um início de busca de solução com a criação de um Conselho Científico. A Comissão recomenda que seja mantida uma composição desse Conselho não burocrática ou de membros ex-officio, que reflita real mérito científico. Ademais, o Instituto deveria considerar a possibilidade de incluir em seu Conselho Científico cientistas distinguidos de outras instituições. O Conselho deve ser dotado de instrumentos de ação e não apenas ser um Conselho de avaliação.
2.3 - A produção científica demonstra marcos evolutivos do projeto acadêmico? Examine a qualidade, regularidade e multiplicidade da produção.
Uma análise do último relatório FINEP (1995/1996) mostra que, dentre os subprojetos mais produtivos, se destacam os de Física Nuclear Teórica e Física de Partículas e Campos. Entre os menos produtivos, se encontram os de Ciência dos Materiais, Ressonância Magnética, Física Aplicada e Física de Baixas Temperaturas. Isto se reflete, também, no Catálogo da Pós-graduação (datado de 1998, cobrindo os anos 1996 e 1997), no qual fica evidente a presença de um pequeno número de pesquisadores muito produtivos.
Há dois novos laboratórios em implantação nas áreas da Óptica e Condensação de Bose, os quais, aparentemente, buscam dar continuidade aos trabalhos realizados no Doutorado por seus responsáveis. É importante que esses jovens pesquisadores tenham o apoio necessário para desenvolver suas atividades, sendo encorajados a buscar temas de pesquisa originais na fronteira do conhecimento.
O novo laboratório de Física Atômica em implantação, equipado com um moderno acelerador de íons, oferece excelentes oportunidades para a realização de pesquisas básicas e aplicadas, devendo ser apoiado.
2.4 - A formação de recursos humanos do(s) programa(s) tem um fluxo compatível com os recursos aportados (regularidade e multiplicidade das titulações\diplomações)?
Há problemas na formação de recursos humanos que transparecem, entre outros indicadores, no número decrescente de estudantes, em particular de estudantes bolsistas, do curso de Pós-graduação. Isto pode ser reflexo de uma situação que transcende os limites do Instituto (redução de orçamentos e decréscimo no número de estudantes que procuram a Física em geral), mas, também, reflete dificuldades institucionais que vão desde a péssima infra-estrutura até programas de pesquisa pouco desafiadores.
Os estudantes de Pós-graduação queixam-se do sistema de avaliação e da pouca clareza que têm das regras do sistema de Pós-graduação. A Comissão sugere que os responsáveis pela Pós-graduação realizem anualmente um seminário de orientação para discutir as regras de progressão no curso, sistema de atribuição de bolsas, projetos de pesquisa etc., não apenas para os alunos ingressantes, mas, também, para os veteranos. Isto daria aos alunos uma visão mais integrada da Instituição e seria uma oportunidade formal para dirimir dúvidas.
O catálogo de Pós-graduação poderia ser mais amigável para o usuário. Como já existe uma rede eletrônica de comunicação dos estudantes de Pós-graduação, uma página com respostas às perguntas mais freqüentemente feitas poderia ser um instrumento valioso de comunicação e informação.
2.5 - As condições acadêmicas estruturais (laboratórios, salas de aula, gabinetes de trabalho, etc.) oferecidas aos professores e pesquisadores são estimulantes em direção às metas propostas?
Não. A infra-estrutura deixa muito a desejar.
Os meios computacionais, entretanto, são, na opinião de alunos e professores, adequados. O corpo técnico-administrativo, por outro lado, ressente-se da falta de equipamentos modernos de informática.
A Biblioteca, em especial, que deveria oferecer condições de acesso à literatura, inclusive através de meios eletrônicos, é pobre. Segundo informação da bibliotecária, assinam-se anualmente cerca de 300 periódicos. Mesmo assim, a opinião da Comissão é de que este setor merece maior atenção e apoio por parte da Direção do Instituto.
2.6 - O esforço docente (carga didática de graduação e Pós-graduação) é compatível com as metas traçadas?
É compatível e adequado.
2.7 - Analise a relação com o ensino de graduação.
Não parece haver uma relação muito forte. Houve o Programa de Tutoria, no qual estudantes de Pós-graduação ministravam aulas na graduação (cursos básicos), mas, infelizmente, este programa foi terminado por falta de recursos. O único laço mais claro que existe é através dos programas de Iniciação Científica, nos quais se estabelece um vínculo entre pesquisadores e alunos que se inicia na graduação e prossegue na Pós-graduação. Não há a menor dúvida que o Programa de Iniciação Científica é extremamente importante para vincular pesquisa e Pós-graduação com a graduação.
3 - CORPO DOCENTE
3.1 - Analise as evidências do tipo de comprometimento dos docentes com a Instituição, observando, entre outras coisas:3.1.1 - Permanência na Instituição.
Não parece ser um problema.
3.1.2 - Envolvimento com o ensino de graduação.
Os problemas, nesta área, parecem ser os comumente encontrados em outras instituições. Pelas discussões havidas com os responsáveis pela Instituição (Diretoria, membros dos vários colegiados), há uma consciência clara da importância da graduação; a reforma curricular em curso demonstra isso. O que ainda falta são elementos de avaliação conseqüente de desempenho dos docentes.
3.1.3 - Envolvimento com a Pós-graduação e com a pesquisa.
Cerca de 50% do quadro de docentes integra o curso de Pós-graduação. Teoricamente, são esses os docentes com maior produção científica. A Comissão não teve elementos, nem tempo hábil, para analisar esta questão com o cuidado que ela merece. Independentemente deste fato, a Comissão julga que deve haver uma avaliação externa voltada para os grupos de pesquisa.
3.1.4 - Envolvimento com o trabalho de extensão universitária.
O envolvimento é baixo, mas não anormalmente baixo para um Instituto de Física. Um programa importante é o do LADIF, já mencionado, em especial no que diz respeito ao treinamento de professores do ensino médio. O outro é um esforço de interação com o Instituto Nacional do Câncer e alguns hospitais na área de Física Médica. Considerando-se a enorme carência nesta área no País, a Comissão sugere que este programa também seja avaliado por especialistas, se necessário, do Exterior.
3.1.5 - Articulação com outras organizações.
Há um esforço de articulação com a COPPE, visando modernizar o ensino das Engenharias, que deve ser encorajado e apoiado pelas autoridades universitárias. Há, também, colaborações significativas com a área de Biologia que devem ser apoiadas.
3.1.6 - Aprimoramento docente.
A maior parte do quadro docente (102 em 118) já possui doutoramento, o que é uma situação comparável à das melhores instituições brasileiras. Entretanto, é sintomático que apenas 50% desses docentes integre o quadro da Pós-graduação, indicando a baixa produtividade científica do conjunto do Instituto. Novamente, voltamos à questão fundamental da avaliação conseqüente - sem ela, qualquer esforço de aprimoramento é de eficácia altamente duvidosa.
3.2 - Analise o planejamento da Instituição com relação ao seu quadro docente, tendo como base o projeto acadêmico e observando, entre outras coisas:
3.2.1 - Formação acadêmica e situação na carreira.
O perfil da formação acadêmica é bom.
3.2.2 - Programas de aprimoramento docente.
A Comissão não tomou conhecimento de programas específicos de aprimoramento dos docentes, que, talvez, não existam pela razão anteriormente mencionada, de que a grande maioria dos docentes já possui doutorado (102 em 118).
3.2.3 - Distribuição das atividades docentes entre ensino de graduação, Pós-graduação, pesquisa, extensão e atividades administrativas.
A Comissão não analisou em detalhes esta questão, mas não detetou distorções notáveis.
3.2.4 - Estratégias da Unidade para lidar com os docentes e grupos menos atuantes.
Segundo a Diretoria, o Conselho Científico terá, como uma de suas atribuições, que realizar a avaliação periódica dos docentes e dos pesquisadores. Neste momento, apenas um Departamento possui uma sistemática de avaliação, sendo que os docentes com pouca ou nenhuma produção científica recebem uma carga didática maior do que aqueles com uma produção aceitável. A Comissão reconhece que, dados os meios de cobrança de desempenho existentes, esta é uma solução que demonstra a existência da preocupação com o problema, mas está longe de ser a ideal.
A Comissão de Avaliação solicitou ao Conselho Científico que lhe fosse fornecida uma lista com os cinco ou dez mais importantes artigos científicos produzidos pelo Instituto nos últimos cinco anos, na visão do Conselho. Esta lista não foi fornecida, ficando aparente, para a Comissão, uma grande relutância em produzi-la, o que a Comissão deixa cética a possibilidade de o Conselho Científico estar preparado para o trabalho de avaliação que, supostamente, se propõe a fazer.
4 - CORPO DISCENTE
Analise a opinião dos alunos de graduação e Pós-graduação quanto:4.1 - Ao projeto acadêmico da unidade e sua execução (processos de seleção, infra-estrutura, currículos, relação professor\aluno, etc.).
Já comentamos acima vários aspectos dessa questão.
4.2 - Ao seu envolvimento na discussão dos objetivos acadêmicos da Unidade e na avaliação de sua execução.
É pequeno ou inexistente, sobretudo na graduação. Na Pós-graduação, parece haver uma participação um pouco maior dos representantes discentes no Conselho de Pós-graduação. Sente-se que os estudantes gostariam de ter uma participação maior.
Por exemplo, as reformas curriculares deveriam ser explicadas para os estudantes. Não estamos propondo uma discussão em assembléia, mas uma comunicação didática, a fim de que os estudantes possam entender seus objetivos e, inclusive, fazer sugestões que poderiam ser analisadas e, eventualmente, aproveitadas.
4.3 - Ao envolvimento com a pesquisa (Iniciação Científica, participação em eventos científicos, etc.).
O envolvimento com a pesquisa em nível de graduação (Iniciação Científica) deveria ser incrementado. Apenas um grupo de pesquisa, na opinião dos estudantes, faz um esforço de divulgação para atrair estudantes de graduação da Física e de outras áreas para seus programas. A Comissão recomenda que seja feito um esforço consistente por todos os grupos de pesquisa para atrair estudantes de iniciação científica, não apenas da Física, pois a iniciação é um instrumento fundamental de melhoria do ensino da graduação.
5 - CORPO TÉCNICO-ADMINISTRATIVO
As informações que a Comissão dispõe sobre o corpo técnico-administrativo foram, basicamente, colhidas durante uma sessão de entrevistas com um grupo de cerca de 15 funcionários, de vários setores. Essas informações, portanto, devem ser analisadas à luz da reduzida amostragem (prejudicada pela greve), e de sua fonte.5.1 - Analise o grau de envolvimento dos técnico-administrativos com os objetivos acadêmicos da Unidade e sua participação no processo que define a dinâmica da execução administrativa do projeto.
O corpo técnico-administrativo é pouco envolvido com os programas acadêmicos, cabendo-lhe, essencialmente, sua execução administrativa. Os funcionários queixaram-se do distanciamento entre o corpo docente e o corpo técnico-administrativo, declarando, inclusive, não ter tomado conhecimento do processo de auto-avaliação do Instituto.
Há um esforço em curso para implantar um Programa de Qualidade. Não está claro para a Comissão que existem na Universidade os instrumentos básicos para o sucesso de um Programa deste molde, tais como avaliações de desempenho e possibilidade de estímulos positivos para bons, bem como sanções, para maus funcionários.
A expansão dos programas científicos não parece levar em conta os seríssimos problemas de infra-estrutura da Instituição (a começar pelo suprimento de energia elétrica e os problemas de espaço físico e de sua adequação aos fins esperados). Para tanto, uma maior comunicação entre as instâncias acadêmicas e o corpo técnico seria recomendável.
Na opinião dos funcionários, falta planejamento no Instituto. Por outro lado, eles estão satisfeitos com a existência da recentemente criada Diretoria Adjunta de Administração, ocupada por um funcionário do corpo técnico-administrativo.
Os funcionários da Oficina Mecânica declararam que ela está obsoleta, não tendo recebido recursos há vinte anos. Na opinião de alguns, isto resulta da falta de demanda dos serviços de Oficina. Esta opinião é diametralmente oposta à expressa por alguns pesquisadores, que se queixam da ineficiência e da falta de resposta da Oficina. Este é um ponto sobre o qual a atual Diretoria pretende atuar.
5.2 - Analise a qualificação profissional dos técnico-administrativos tomando como referência a execução da proposta acadêmica da unidade.
Não foram fornecidas as informações necessárias para responder a esta questão.
5.3 - Analise o exercício de funções que estejam, em termos de qualificação, aquém ou além do cargo que os técnico-administrativos ocupam.
Os desvios de função, pelo relato dos funcionários, aparentam ser numerosos, o que, certamente, não permite um bom desempenho da instituição. A Comissão não dispôs de informações suficientes para analisar a questão colocada, apesar de sua importância.
6 - ADMINISTRAÇÃO
Comente sobre a estrutura e prática administrativas da UFRJ e, em especial, da Unidade, tomando como referencial o projeto acadêmico, observando o funcionamento das estruturas de tomada de decisões (conselhos superiores da UFRJ, colegiados da Unidade e departamentais) e das estruturas administrativas (Reitoria, Decania, Direção da Unidade e do Departamento).Internamente ao Instituto, a estrutura acadêmico-administrativa se ressente de uma dualidade artificial. Por um lado, a estrutura departamental de jure, de outro, a vontade de eliminar as barreiras artificiais criadas pelos Departamentos, com o estabelecimento de uma estrutura mais orgânica, calcada nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Esta duplicidade deixou a Comissão perplexa e dificultou uma análise mais detalhada. Entretanto, a Comissão têm dúvidas sobre a funcionalidade dessas estruturas, devido aos óbvios potenciais conflitos de instâncias. Isto ficou claro na discussão com os docentes.
Externamente, é um absurdo, por exemplo, que os responsáveis pelos Conselhos de Graduação e de Pós-graduação não tenham assento ex-officio nos respectivos colegiados superiores da Universidade.
A Comissão recomenda fortemente que a Universidade e o Instituto façam um esforço (talvez heróico) de adequar suas instâncias deliberativas e executivas às demandas de uma organização moderna, eficaz e eficiente. Este não parece ser ainda o caso da UFRJ.
7 - RELAÇÃO COM A SOCIEDADE
Analise o juízo e a projeção que a comunidade nacional e internacional têm com o trabalho da Unidade, observando:7.1 - Egressos.
Em termos de formação de recursos humanos, o Instituto está bem colocado no cenário nacional.
7.2 - Prestígio da produção acadêmica.
Há pesquisas sendo feitas nas áreas mais produtivas do Instituto, que possuem visibilidade nacional e internacional
7.3 - Articulação com os diversos setores da sociedade.
Não houve informações suficientes nem tempo para analisar este aspecto.
8 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Comissão recomenda fortemente que seja dada continuidade ao processo de reforma curricular e da iniciativa de integração com as Engenharias e outros Institutos do CCMN, dois aspectos muito positivos para o Instituto e para a Universidade. Uma ênfase especial deve ser dada à avaliação dos resultados dessas reformas, inclusive com a avaliação permanente e conseqüente do desempenho dos docentes, sem a qual não há possibilidade de melhoria real dos cursos de graduação.Esta avaliação deve ser feita no universo dos estudantes de todas as áreas que freqüentam os cursos oferecidos pelo Instituto. A Comissão sugere que o Instituto tome a iniciativa de discutir com as outras áreas o conteúdo e os processos de avaliação da reforma curricular.
Merece menção especial a existência de um curso noturno de licenciatura, que dê oportunidade a pessoas que trabalhem durante o dia de estudarem à noite. Aparentemente, entretanto, há graves problemas de segurança que não têm sido levados em conta pela Administração da Universidade. Dada a importância desse curso e os óbvios problemas de segurança do campus, especialmente à noite, a Comissão recomenda que eles (iluminação, pessoal de segurança etc.) sejam resolvidos com urgência.
Claramente, os estudantes do ciclo básico se encontram um pouco perplexos com a reforma curricular, especialmente por que esta foi implantada apenas pela metade, em virtude de problemas surgidos com a Escola de Engenharia. Seria importante que o corpo docente se debruçasse com atenção sobre esses problemas de relacionamento com os estudantes de graduação e, em especial, desenvolvesse com urgência uma estratégia ativa para lidar com o altíssimo grau de evasão.
A Comissão considera que a desvinculação de disciplinas e Departamentos, iniciada em 1994, é muito positiva, em particular por ter possibilitado o enxugamento do currículo. No entanto, alerta para o fato de que a inadequação das estruturas executivas e deliberativas do Instituto ao novo modelo pode prejudicar essa meritória iniciativa.
A Comissão recomenda fortemente que a Universidade e o Instituto façam um esforço (talvez heróico) de adequar suas instâncias executivas e deliberativas às demandas de uma organização moderna, eficaz e eficiente. Este ainda não é o caso da UFRJ.
Cabe aqui ressaltar a importância de que se reveste a questão da infra-estrutura física do Instituto. Esta é lastimável sob praticamente todos os aspectos - desde espaço físico até instalações elétricas, passando pela utilização de espaços inadequados para a instalação de equipamentos. A Comissão suspeita de que não há muito exagero em dizer que as pessoas, freqüentando e trabalhando nas dependências do Instituto, correm riscos de acidentes graves. A construção de um prédio próprio para o Instituto é urgentemente necessária.
A Universidade deve se empenhar em prover a infra-estrutura adequada, pois há o risco de que equipamentos, muitas vezes de alto custo, não possam ser utilizados em sua plenitude. Por outro lado, cabe ao Conselho Científico fazer uma corajosa avaliação da utilização do espaço existente, buscando estabelecer uma correlação positiva entre espaço de laboratório e produtividade científica, em particular, tendo em vista os novos projetos, tanto nas áreas de Óptica e Condensação de Bose quanto na área de Física Atômica (acelerador).
Há necessidade de uma avaliação externa específica dos programas científicos. A avaliação externa, na visão da Comissão, é um instrumento necessário e importante, mas requer, também, a existência de mecanismos internos permanentes de controle da qualidade.
Na opinião da Comissão, é fundamental que a Administração da Universidade dote os Departamentos de meios reais de cobrança de desempenho, inclusive com a perda da dedicação exclusiva por docentes cuja produtividade for insatisfatória, como já é feito em outras instituições. Sem avaliação e sem meios administrativos de tornar as avaliações conseqüentes, é impossível imaginar como a instituição possa desenvolver um projeto acadêmico sério.
Na opinião da Comissão, o relatório de auto-avaliação deixou muito a desejar, tendo sido entregue no último momento, já iniciada a visita e, aparentemente, não refletindo uma verdadeira auto-avaliação do Instituto. Entre outros itens necessários para uma boa avaliação, a Comissão destaca, especialmente, relatórios atualizados dos Departamentos e dos grupos de pesquisa, que não lhe foram fornecidos.
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