Como as quantidades numéricas nessa equação são fixas e repodutíveis em qualquer situação, é tentador imaginá-las como medindo algo trocado entre as duas massas de água: algo perdido em um, e ganho em outro. Este foi como se chegou a utilização de expressões como "troca de quantidades de calor", e o produto mDT é utilizado como uma medida de tal quantidade quando diferentes amostras da mesma substância são misturadas, ou trazidas em contato entre si a diferentes temperaturas.mpDTp = -mgDTg [5.1]
A técnica experimetnal de observar mudanças de temperatura quando se mistura ou se põe em contato sistemas isolados térmicamente, é frequentemente chamado de método das misturas. Um recepiente em que este tipo de experiência é realizado se chama de calorímetro e o processo é chamado de calorimetria.
A energia que entra em um sistema em forma de calor deve ser também uma característica própria do material que o compõe. Logo, podemos definir a energia em forma de calor necessaria para variar a temperatura de um sistema por
Q = cmDT [5.2]onde c, a constante de proporcionalidade, depende do material que compõe o sistema. Esta constante é chamada de calor específico. As unidades de calor são unidades de energia. Exemplos são o Joule, J, a caloria, cal, a kilocaloria, Cal, e o Btu (British Thermal Units). Historicamente, a caloria foi definida como a energia necessária para aquecer 1g de água de 14,5 para 15,5 oC. O Btu foi definido como a energia necessária para aquecer 1lb de água de 63 para 64 oF. A caloria é frequentemente utilizada em sistemas químicos e biológicos. O Btu ainda é usado em sistemas de aquecimento e resfriamento, por exemplo o ar condicionado. O Joule é a unidade de energia do sistema MKS. Na tabela abaixo mostramos a equivalência entre as unidades.
| 1J | 0,2389 cal | 9,481 x 10-4 Btu |
| 1 Btu | 1,055 x 103 J | 252,0 cal |
| 1 cal | 3,969 x 10-3 Btu | 4,186 J |
| 1 Cal | 103 cal | 4.186 J |
Também podemos definir o calor específico por mol de substância, ou calor específico molar, C. Lembramos que 1 mol é a quantidade de massa de substância equivalente ao seu número de massa atômico, ou molecular, expresso em gramas. Em um mol existem
1 mol = 6,02 x 1023 átomos, ou moléculas [5.3]
(número de Avogadro)
| Substância | Calor Específico (cal/g.K) | Calor específico (J/kg.K) |
| chumbo | 0,0305 | 128 |
| vidro | 0,20 | 840 |
| álcool etílico | 0,58 | 2.430 |
| água | 1,00 | 4,190 |
| alumínio | 0,215 | 900 |
onde L é chamado de calor de fusão, LF, ou de evaporação, LV. Para a águaQ = L m [5.4]
LV = 539 cal/g =40,7 kJ/mol = 2.260 kJ/kg [5.5]
LF = 79,5 cal/g =6,01 kJ/mol = 333 kJ/kg [5.6]
pV = nRT [5.7]onde p é a pressão, V o volume, n o número de moléculas, e T a temperatura do gás. A constante R possui valor 8.314 J/mol.K. Esta equação pode ser usada para resolver problemas com gases ideais quando existe uma quantidade desconhecida.
A equação de estado para um gás de van der Waals é um pouco mais complicada, já que esse modelo leva em consideração as interações devidas ao tamanho finito e as interações das moléculas do gás. a equação de van der Waals é
[p + a(n/V)2] (V/n - b) = RT [5.8]onde a equação foi escrita de forma a se reduzir a equação dos gases ideais quando a e b vão a zero. O termo a(n/V)2 é um efeito da força intermolecular (devido aos momentos de dipolo elétricos induzidos, que levam a uma pequena força de atração entre as moléculas. A pressão do gás deve aumentar devido a essas forças. Ela deve crescer com a densidade (n/V) de moléculas. Encontra-se um crescimento na forma quadrática com a densidade quando o efeito é levado em consideração microscópicamente. Como as moléculas possuem um tamanho finito, o volume por molécula (V/n) deve ser diminuido do volume da própria molécula. Esta é a razão para o segundo termo, b, no segundo parênteses.
[5.9]
onde é necessário saber exatamente como a pressão muda em função do volume para calcular a integral. A fórmula possui uma origem simples. Se considerarmos um gás empurrando um pistão com pressão p, a força sobre o pistão é o produto da pressào do gás e a área do pistão. Se o gás desloca o pistão de Dx, o trabalho realizado é o produto da força sobre o pistão e a distância que o pistão se moveu, W = pADx = pDV, onde DV é a variação de volume do gás (o pistão foi empurrado para trás, permitindo que as moléculas de gás ocupem mais espaço). Note que se o volume do gás aumenta ele faz um trabalho positivo no ambiente externo. Se o gás for comprimido, ele faz um trabalho negativo (em outras palavras, você tem que realizar trabalho para comprimir um gás. Isto é a razão da dificuldade em se encher um balão, ou um pneu de bicicleta).
Uma boa maneira de visualizar o processo de fazer a integral acima é esboçar um gráfico da pressão em função do volume e traçar o caminho do estado A (um ponto no diagrama p-V) ao estado B (um outro ponto). A área embaixo da curva é o trabalho realizado pelo gás. Também é possível voltar ao estado A. Esta é chamada de transformação cíclica, já que ela o leva de volta ao estado de origem. Se você voltar ao longo do mesmo caminho, o trabalho feito pelo gás é nulo, já que a área positiva no primeiro caminho cancela a área negativa do segundo caminho. No entanto, é possível tomar uma rota totalmente diferente ao ir de B voltando para A, como mostra a figua abaixo. Se o caminho seguir o sentido dos ponteiros de um relógio, o trabalho feito pelo gás no ambiente externo é justamente a área dentro do caminho. Se a rota segue o sentido contrário aos ponteiros do relógio, o gás faz um trabalho negativo no ambiente externo.

Suponha que queiramos expandir um gás mantendo a pressão constante. Como se faz isso? Pela lei dos gases ideais, a temperatura do gás deve aumentar. Logo, você poderia aumentar lentarmente o volume do recepiente em que o gás é mantido, enquanto que simultaneamente o gás é aquecido o suficiente para manter a pressão constante. A densidade do gás diminui, mas as moléculas se movem mais rápido agora que a temperatura é maior, de modo que a pressão permanece constante. A variação de temperatura necessária pode ser calculada da equação dos gases perfeitos.
Também é possível variar a pressão de um gás enquanto o mantemos com volume constante. O gás não realiza trabalho no ambiente externo neste caso, mas você necessita por energia no gás (ou retirá-la) por aquecimento (ou esfriamento) a fim de mudar a pressão de acordo com a equação dos gases perfeitos. O gás não realiza trabalho sobre o ambiente, mas existe um fluxo de calor não nulo para o gás. O fluxo de calor para o gás é positivo se a pressão do gás aumenta a volume constante, e negativo se a pressão diminuir. O fluxo de calor é dQ = cVdT.
Em outros sistemas também podemos transformar calor em trabalho. Um exemplo simples é um elástico suportando um peso. Se aquecermos o elástico com uma vela ele encolherá. Desprezando a parte da energia utilizada para o rearranjo das suas moléculas, o calor é transformado em energia potencial do peso quando o elástico encolhe.

[5.12]
Para uma pressão constante,o fluxo de calor é
[5.13]
Os coeficientes cV e cP são os calores específicos de uma substância com massa m, a pressão e volume constante, respectivamente.
[5.14]
Note que ela é positiva somente se o gás expande (o volume final é maior do que o inicial). É necessário trabalho para comprimir um gás (o mesmo que dizer que o gás realiza um trabalho negativo sobre o ambiente).
A primeira lei para dQ = 0 é
A equação dos gases ideais pode ser utilizada para expressar dT em termos de dp e dV:
Usando novamente a equação dos gases ideais, podemos escreve-la na forma:pV = nRT
pdV + Vdp = nRdT
dT = (pdV + Vdp)/nR [5.17]
cVdT = cV (pdV + Vdp)/nR = - pdV [5.18]Rearrumando a equação podemos obter tudo relacionado com a pressão em um dos lados, e tudo relacionado com o volume no outro:
- cV (p/nR)dV - pdV = cV(V/nR)dpA quantidade cV + nR é igual a cP (como veremos mais tarde), e a razão cP/cV é chamada de razão de calor específico g. Para gases mono-atômicos ideais, g = 5/3. Agora podemos integrar ambos os lados da equação acima, obtendo:
- p (cV + nR) dV = cVVdp
dp/p = - (cV+nR)/cV . (dV/V) [5.19]

Devido a isso, a energia interna de um gás diminui mais rápido também. Em uma transformação isotérmica, a energia interna do gás permanece constante. Se começarmos a uma pressão pA e volume VA, a pressão final é
Usando a equação dos gases ideais também podemos re-escrever [5.22] como
Ti Vig-1= Tf Vf g-1 [5.25]