Tipo de configuração magnética
Abandonado a ele próprio, um plasma ocupa, tal como qualquer gás, todo o espaço geométrico disponível, devido às colisões entre partículas. O plasma pode ser confinado por campos magnéticos, visto que as trajetórias dos ions e dos eletrons que o constituem são hélices que se enrolam em torno das linhas de força do campo magnético.
Se um recipiente está mergulhado num campo magnético retilineo, as partículas do plasma não podem atingir as paredes laterais, mas vão colidir com as extremidades do recipiente. Para evitar este contato das partículas com as paredes materiais, foram estudados dois tipos de configuração magnética:
No stellarator , a helicidade das linhas do campo é produzida por um conjunto de bobinas, elas próprias tendo por vezes a forma helicoidal. Não é induzida exteriormente nenhuma corrente no plasma.
No RFP, as componentes toroidal e poloidal do campo são criadas como no tokamak, mas a corrente que circula no plasma é bastante mais intensa que num tokamak com o mesmo campo toroidal. O estabelecimento dos campos faz-se numa escala de tempo tal que daí resulta uma reorganização interna espontânea dos campos magnéticos conduzindo à inversão do sentido do campo toroidal no seio do plasma.
Esquema de princípio representando os vários métodos
de aquecimento do plasma.
Aquecimento do plasma nas configurações toroidais
No caso do tokamak e do RFP, a corrente que circula no plasma e que cria a componente poloidal do campo poloidal do campo magnético serve também para aquecer o plasma por efeito Joule. Este processo é eficaz até uma temperatura da ordem de 10 milhões de graus, para além da qual a resistividade do plasma é demasiado baixa para que exista uma dissipação significativa. Por esta razão têm sido desenvolvidos sistemas de aquecimento adicional para permitir ao plasma atingir as temperaturas termonucleares. (Para os stellarators estes meios de aquecimento serão os únicos a garantir a energia necessária, pois nesta configuração não é induzida corrente no plasma).
São utilizados três métodos de aquecimento adicional:
A geração atual das grandes máquinas (TFTR nos Estados Unidos, JT60 no Japão, JET na Europa), completada por um grande número de máquinas de tamanho médio, concentram a sua investigação em vários grandes temas:
A presença de uma quantidade importante de partículas
alfa pode ser a origem de novas instabilidades e do aumento da diluição
do combustível. Será necessário um sistema eficaz
de extração de residuos de hélio.
A máquina JET, que é o maior tokamak em operação (volume do plasma: 140 m3) atingiu o melhor desempenho para o produto n0T0tE com o valor 9x1020 m-3.KeV.s.
Para que a ignição possa ocorrer este produto deve ser seis vezes mais elevado.
Em Novembro de 1991, foram efetuadas no JET as primeiras experiências com uma mistura D-T (sendo a concentração de trítio limitada a 11%). A obtenção de uma potência de fusão de 1.7 MW, com uma produção total de energia de fusão de 2 MJ permite prever que em 1996, com uma concentração de trítio igual a 50%, o "Breakeven" será atingido. (Situação em que a potência de fusão iguala a potência de aquecimento do plasma).
Investigação em stellarators
Esta configuaração magnética, produzida por bobinas externas colocadas em torno da câmara de vácuo, não tem simetria axial (a seção do plasma modifica-se ao longo do toro). Estudam-se diversos tipos de stellarators que diferem em particular na periodicidade das componentes toroidais e poloidais do campo.
As formas dos anéis dobrados helicoidalmente são difíceis de calcular e concretizar: só devido ao desenvolvimento de potentes computadores e a métodos de fabricação sofisticados, foi possível projetar e construir stellarators com bobinas tridimensionais e modulares.
No stellarator W7-AS (Garching, RFA), o plasma é criado e aquecido por ondas com a frequência eletro-ciclotrônica. A qualidade do confinamento é semelhante à dos tokamaks.
Um outro stellarator com bobinas modulares, Heliac - TJ-II, está em construção (Madrid, Espanha). A câmara de vácuo tem igualmente uma forma muito complexa para acompanhar a forma do plasma e permitir o acesso de estruturas mecânicas e diagnósticos.

Projeto W7 - X, Ssellarator do tipo HELIAS (ASS. EURATOM - IPP,
GARCHING e GREIFSWALD - D). À esquerda, bobinas toroidais e criostato.
À direita, Plasma e placas do diversor.
A vantagem intrínseca dos stellarators é a ausência de corrente toroidal (não existe transformador, não ocorrem disrupções), o que permite um funcionamento contínuo. Os temas de investigação são essencialmente os mesmos que existem para os tokamaks.
Esquema do stellarator do tipo Heliac TJ-II (Ass. Euratom-CIEMAT,
Madrid-E)
Investigação sobre "Reverse Field Pinch" (RFP)
Tal como o tokamak, este sistema tem simetria axial. A diferença principal reside na distribuição espacial do campo magnético toroidal que muda de sinal na fronteira do plasma.
A máquina RFX de Pádua tem por objetivo o estudo dos problemas físicos de auto-reorganização do campo magnético, que é específico desta configuração. Além disso, o estabelecimento de leis de escala para o confinamento permitirá comparar esta configuração com outras toroidais que são hoje muito mais avançadas.