Princípio
Feixes de lasers ou de partículas são concentrados sobre a superfície de uma cápsula com alguns mm de diâmetro contendo uma pequena quantidade de combustível. A evaporação e a ionização da camada periférica da matéria conduzem à formação de uma coroa de plasma. A sua descompressão provoca uma expansão para o exterior, e, por "efeito de foguete" cria uma frente de compressão para o interior com um aquecimento progressivo das camadas internas. O núcleo do combustível é comprimido até mil vezes a densidade do líquido e a ignição ocorre quando a temperatura atinge cem milhões de graus. A combustão termonuclear estende-se rapidamente através do combustível comprimido, produzindo uma energia igual a várias vezes a depositada sobre a cápsula pelo sistema de feixes. As reações termonucleares têm lugar durante um tempo limitado pela própria inércia do combustível: daí a designação de fusão por confinamento inercial.
Métodos de iluminação da cápsula
Existem duas vias para depositar a energia dos feixes sobre a superfície da cápsula: a iluminação direta onde múltiplos feixes de lasers ou de partículas carregadas são enviadas para a cápsula, procurando-se a maior simetria possível; e a iluminação indireta onde a cápsula é colocada no interior de uma proteção metálica, sobre a parede da qual é depositada a energia dos feixes, produzindo-se um radiamento do tipo corpo negro que é absorvido pela cápsula.
Neste segundo método o radiamento é isotrópico, o que garante uma implosão com simetria esférica, o que é bastante mais dificil de obter com iluminação direta. Uma variante da iluminação indireta consiste em preencher a cavidade de matéria com baixo número atômico, que, aquecida a uma temperatura superior a um milhão de graus, se torna transparente aos raios-X, o que assegura uma uniformização radioativa do fluxo de energia.
O primeiro sistema de feixes utilizado na investigação
em fusão inercial, e o mais desenvolvido até hoje, é
o laser. Impulsos lasers de elevada potência, com duração
e forma variadas, e um comprimento de onda controlado, podem ser focalizados
no espaço reduzido ocupado pela cápsula ou cavidade. No entanto,
o seu fraco rendimento energético (alguns %) torna pouco provável
a sua utilização num reator de fusão, a menos que
se verifique uma melhoria importante do rendimento do bombeamento ótico.
A instalação mais poderosa é a do laser NOVA (Livermore,
USA) que produz uma energia de 40 kJ com um comprimento de onda de 351
mm.
Os resultados conhecidos mais avançados são de compressões que permitem atingir densidades cerca de 600 vezes a densidade do liquido D-T.
Num acelerador eletrostático, uma excitação
elétrica de elevada energia é progressivamente encurtada
até tempos da ordem de 10-9 a 10-8 s. A excitação
resultante de algumas dezenas de MV e alguns MA é aplicada a um
díodo cujo ânodo emite o ion pretendido (H+, Li+);
a eficácia estimada para tais sistemas é de 20 a 25%. Encara-se
a possibilidade de efetuar impulsos de 30 MV com uma energia potencial
de 1 MJ no acelerador PBF (Albuquerque, USA), e obtiveram-se densidades
de potência de 1 TW/cm2 com uma energia de 40 KJ no acelerador
KALIF (Karlsruhe, RFA).
Uma taxa elevada de deposição de energia nos alvos,
bem como uma grande experiência na tecnologia dos aceleradores, conduziu
à concepção de experiências de fusão
com ions pesados.
Por outro lado, demonstrou-se a obtenção de rendimentos elevados (várias dezenas de %) em longos períodos de exploração de aceleradores complexos.
A geração de impulsos intensos (alguns KA) e breves (10 ns) impõe a compressão temporal do feixe, entre a fonte e o alvo, por cinco ordens de grandeza. Um controlo baseado nos efeitos da importante carga espacial destes feixes é objeto de estudos teóricos e experimentais. A instalação do GSI (Darmstadt, RFA) permite o estudo de intensidades fortes com uma energia máxima de 20 MeV/nucleon, para ions de espécies variadas indo até ao urânio.
Durante a fase de aceleração da implosão, o
contato entre o impulsor ("pusher"), de alta densidade e o fluido de baixa
densidade em expansão pode terminar na instabilidade de Rayleigh-Taylor
e as bolhas de combustível podem passar através do "pusher"
e rasgá-lo. Têm sido desenvolvidos sistemas óticos
sofisticados para a iluminação direta por laser.
Estes alvos consistem num micro-balão cheio com uma mistura
deutério-trítio de baixa densidade. A parede é formada
por multi-camadas de materiais com número atómico (Z) variável
para garantir uma combustão com alto rendimento.
Deformação temporal de um alvo sob irradiação
devida a inhomogeneidade da iluminação em ataque direto -
simulação por computador de uma instabilidade RAYLEIGH -
TAYLOR (ENEA - FRASCATI - I).
Se os lasers utilizando sólidos, - nomeadamente vidros de
neodimio -, dominam atualmente a investigação, lasers utilizando
gás (fluoreto de cripton, iodo) são promissores, não
só pela gama de comprimentos de onda mas também pela eficácia.
Eles são atualmente o objeto de desenvolvimentos intensos em muitos
laboratórios.
Estudam-se numerosos sistemas de aceleradores com ions leves e com ions pesados para obter elevadas densidades de partículas no espaço de fase; um método explorado é o empilhamento de conjuntos de feixes em anéis de armazenamento. Na fase final, vários destes conjuntos (de algmas dezenas até centenas) serão extraídos desses anéis para serem dirigidos simultaneâmente sobre o alvo.