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DIRETRIZES CURRICULARES PARA CURSOS DE FÍSICA

(Versão preliminar, em discussão)

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR

DEPARTAMENTO DE POLÍTICA DO ENSINO SUPERIOR

COORDENAÇÃO DAS COMISSÕES DE ESPECIALISTAS DE ENSINO

COMISSÃO DE ESPECIALISTAS DE ENSINO DE FÍSICA

Brasília (DF)

Agosto de 1998

1. Introdução

Nos termos do inciso II do artigo 53, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996) confere autonomia às Instituições de Ensino Superior para fixar os currículos de seus cursos, observadas as diretrizes curriculares gerais perti-nentes.

Considerando a necessidade de definir tais diretrizes, o Ministério da Educação e do Desporto - MEC, por intermédio de Secretaria de Educação Superior - SESu, convocou, através do Edital n.4/97, de 10 de dezembro de 1997, as Instituições de Ensino Superior a apresentarem propostas nesse sentido. Essas propostas foram recebidas até 15 de julho de 1998 e encaminhadas as Comissões de Especialistas da SESu/MEC, nas áreas de conheci-mento correspondentes, para serem consolidadas.

Na área da Física foram recebidas propostas de diretrizes curriculares das seguintes IES: UFMG, UFG, UFMA, IFUSP, IFSCUSP, UNICAMP, UNISINOS, UCPEL, UFES, FUNREI, PUCRS, UnB, UEL, UFPR, UEM, UNICENTRO, UEPG, UERN, FAFCL, UFPEL, UFRGS, UFSM e FURG,

As diretrizes apresentadas a seguir resultam do trabalho de sistematização e consoli-dação feito pela Comissão de Especialistas de Física da SESu/MEC.

Trata-se de documento em versão preliminar que a Comissão submete, nesta oportu-nidade, à consideração das IES que enviaram propostas, bem como das demais IES que oferecem curso de Física.

Quaisquer manifestações relativas a esta proposta-síntese deverão ser encaminhadas à COESP/SESu/MEC, ou diretamente aos membros da Comissão, via e-mail, até 30 de setembro de 1998. De posse de tais manifestações, a Comissão reunir-se-á, outra vez, para elaborar uma nova versão das Diretrizes Curriculares para os cursos de Física que possa servir de referência para as IES na organização de seus programas de formação nessa área.

2. Características Gerais dos Cursos de Física

É praticamente consenso, entre as propostas recebidas, que a formação em Física, na sociedade contemporânea, deve se caracterizar pela flexibilidade do currículo de modo a oferecer alternativas aos egressos. E também bastante consensual que essa formação deve ter uma carga horária de cerca de 2400 horas distribuidas, normalmente, ao longo de qua-tro anos. Desse total, aproximadamente a metade deve corresponder a um núcleo básico comum e a outra metade a módulos sequenciais complementares definidores de enfases. É igualmente consensual que, independente de enfase, a formação em Física deve incluir uma monografia de fim de curso, a título de iniciação científica. Em se tratando de cursos noturnos, a única diferença, em todas essas características gerais, é a de que a duração do curso deve ser de um a dois anos a mais.

3. Perfil Desejado do Formado

O físico, seja qual for sua área de atuação, deve ser um profissional que, apoiado em co-nhecimento sólidos e atualizados em Física, deve ser capaz de abordar e tratar problemas novos e tradicionais e deve estar sempre preocupado em buscar novas formas do saber e do fazer científico ou tecnológico. Em todas suas atividades, a atitude de investigação de-ve estar sempre presente, embora associada a diferentes formas e objetivos de trabalho.

Dentro deste perfil geral, pode-se distinguir perfis específicos que podem ser tomados como referencial para o delineamento de perfis desejáveis dos formandos em Física, em função da diversificação curricular proporcionada através de módulos sequenciais complementares ao núcleo básico comum:

Físico - pesquisador: ocupa-se preferencialmente de pesquisa, básica ou aplicada, em universidades e centros de pesquisa. Esse é com certeza, o campo de atuação mais bem definido e o que tradicionalmente tem representado o perfil profissional idealizado na maior parte dos cursos de graduação que conduzem ao Bacharelado em Física.

Físico - educador: dedica-se preferentemente à formação e a disseminação do saber científico em diferentes instancias sociais, seja através da atuação no ensino escolar for-mal, seja através de novas formas de educação de educação científica, como vídeos, "soft-ware", ou outros meios de comunicação. Não ater-se-ia ao perfil da atual Licenciatura em Física que está orientada para o ensino formal e médio.

Físico - tecnólogo: dedica-se dominantemente ao desenvolvimento de equipamentos e processos, por exemplo, nas áreas de dispositivos opto-eletrônicos, eletro-acústicos, magnéticos, ou de outros transdutores, telecomunicações, acústica, termodinâmica de motores, metrologia, ciência dos materiais, microeletrônica e informática. Trabalha em geral de forma associada a engenheiros e outros profissionais, em microempresas, labora-tórios especializados ou indústrias. Este perfil corresponderia ao esperado para o egresso de um Bacharelado em Física Aplicada.

Físico - interdisciplinar: utiliza prioritariamente o instrumental (teórico e/ ou expe-rimental) da Física em conexão com outra áreas do saber como, por exemplo, Física Médica, Oceanografia Física, Meteorologia, Geofísica, Biofísica, Química, Física Ambiental, Comunicação, Economia, Administração e incontáveis outros campos. Em quaisquer dessas situações, o físico passa a atuar de forma conjunta e harmônica com especialistas de outras áreas, tais como, químicos, médicos, matemáticos, biólogos, enge-nheiros e administradores.

4. Competências e Habilidades Desejadas

A formação do físico nas Instituições de Ensino Superior deve levar em conta tanto as perspectivas tradicionais de atuação dessa profissão, como novas demandas que vem emergindo nas últimas décadas. Em uma sociedade em rápida transformação, como esta em que hoje vivemos, surgem continuamente novas funções sociais e novos campos de atuação, colocando em questao os paradigmas profissionais anteriores, com perfis já co-nhecidos e bem estabelecidos. Dessa forma, o desafio é propor uma formação, ao mesmo tempo ampla e flexivel, que desenvolva habilidades e conhecimentos necessários às ex-pectativas atuais e capacidade de adequação a diferentes perspectivas de atuação futura.

A diversidade de atividades e atuações pretendidas para o formando em Física ne-cessita de qualificações profissionais básicas comuns, que devem corresponder a objeti-vos claros de formação para todos os cursos de graduação em Física, bacharelados ou li-cenciaturas, enunciadas sucintamente a seguir, através das competências essenciais desses profissionais.

1. Dominar princípios gerais e fundamentos da Física, estando familiarizado com suas áreas clássicas e modernas.

2. Descrever e explicar fenomenos naturais, processos e equipamentos tecnológicos em termos de conceitos, teorias e princípios físicos gerais.

3. Diagnosticar, formular e encaminhar a solução de problemas físicos, experimentais e teóricos, práticos ou abstratos, fazendo uso dos instrumentos laboratoriais ou matemáti-cos apropriados.

4. Manter atualizada sua cultura científica geral e sua cultura técnica profissional especí-fica.

5. Desenvolver uma ética de atuação profissional e a consequente responsabilidade social, compreendendo a Ciência como conhecimento histórico, desenvolvido em diferentes con-textos socio-políticos, culturais e econômicos.

O desenvolvimento das competências apontadas nas considerações anteriores está asso-ciado a aquisição de determinadas habilidades, também basicas, a serem complementadas por outras competências e habilidades mais especificas, segundo os diversos perfis de atuação desejados. As habilidades gerais que devem ser desenvolvidas pelos formandos em Física, independentemente da área de atuação escolhida, sao as apresentadas a seguir:

1. utilizar a matemática como uma linguagem para a expressão dos fenômenos naturais;

2. resolver problemas experimentais, desde seu reconhecimento e a realização de medi-ções, até a análise de resultados;

3. propor, elaborar e utilizar modelos físicos, reconhecendo seus domíios de validade,

4. concentrar esforços e persistir na busca de soluções para problemas de solução elabora-da e demorada;

5. utilizar a linguagem científica na expressão de conceitos físicos, na descrição de proce-imentos de trabalhos científicos e na divulgação de seus resultados;

6. utilizar os diversos recursos da informática, dispondo de noções de linguagem compu-tacional;

7. conhecer e absorver novas técnicas, métodos ou uso de instrumentos, seja em medições seja em análise de dados (teóricos ou experimentais);

8. reconhecer as relações do desenvolvimento da Física com outras áreas do saber, tecno-logias e instancias sociais, especialmente contemporâneas;

9. apresentar resultados científicos em distintas formas de expressão, tais como relatórios, trabalhos para publicação, seminários e palestras.

As habilidades especificas dependem da área de atuação, em um mercado em um-dança contínua, de modo que não seria oportuno especificá-las agora. No caso da Licen-ciatura, porém, as habilidades e competências especificas devem, necessariamente, incluir também:

1. o planejamento e o desenvolvimento de diferentes experiencias didáticas em Física, re-conhecendo os elementos relevantes as estratégias adequadas;

2. a elaboração ou adaptação de materiais didáticos de diferentes naturezas, identificando seus objetivos formativos, de aprendizagem e educacionais;

A formação do físico nao pode, por outro lado, prescindir de uma série de vivênciasque vão tornando o processo educacional mais integrado. São vivênciasgerais essenciais ao graduado em Física, por exemplo:

1. ter realizado experimentos em laboratórios;

2. ter tido experiência com o uso de equipamento de informática;

3. ter feito pesquisas bibliográficas, sabendo identificar e localizar fontes de informação relevantes;

4. ter entrado em contato com idéias e conceitos fundamentais da Física/Ciência, através da leitura e discussao de textos básicos de divulgação científica (cultura científica);

5. ter tido a oportunidade de sistematizar seus conhecimentos e /ou seus resultados em um dado assunto através de, pelo menos, a elaboração de um artigo, comunicação ou monografia.

6. no caso da Licenciatura, ter também participado da elaboração e desenvolvimento de atividades de ensino.

Em relação às habilidades e competências específicas, estas devem ser elaboradas pelas IES a fim de atender as exigencias dos mercados nacionais e locais. Neste sentido, as diretrizes curriculares conferem toda autonomia as IES para defini-las, através dos con-teúdos curriculares. Estes podem ser estruturados modularmente de modo a atender os perfis gerais definidos acima, porém com mudanças nos módulos dos últimos quatro se-mestres do curso que atenderiam ao tipo de especialização necessária para a inserção do formando na atividade almejada.

5. Estrutura dos Cursos

Para atingir uma formação que contemple os perfis, competências e habilidades aci-ma descritos e, ao mesmo tempo, flexibilize a inserção do formando em um mercado de trabalho diversificado, os currículos podem ser divididos em duas partes:

  1. Um núcleo comum a todos as modalidades dos cursos de Física.
  2. Módulos sequenciais especializados, onde será dada a orientação do final do curso.

Estes módulos podem conter o conjunto de atividades necessárias para completar um Ba-charelado ou Licenciatura em Física nos moldes atuais ou poderão ser diversificados as-sociando a Física a outras áreas do conhecimento como, por exemplo, Biologia, Química, Matemática, Tecnologia, Comunicações, etc. Os conteúdos destes módulos especializa-dos inter-disciplinares devem ser elaborados por cada IES juntando os esforços dos cole-giados dos diversos cursos envolvidos (Física, outras áreas científicas, Engenharia, Co-municação, etc.) seguindo interesses específicos e/ou regionais de cada instituição.

O esquema geral desta estrutura modular é mostrado a seguir.

Núcleo Comum

aproximadamente 1200 horas em 4 semestres

Módulos Sequenciais Especializados

Físico-Pesq. Físico-Educ. Físico-Interdic. Físico-Tecnólogo

(Bach. Física) (Licenc. Física) (Bach. Física) (Bach. Física Aplicada)

cerca de 1200 h cerca de 1200 h mínimo de 1200 mínimo de 1200

em 4 semestres em 4 semestres horas a ser definido horas a ser definido

pela IES pela IES

6. Conteúdos Curriculares

6.1 Núcleo Comum

O núcleo comum deverá ser cumprido por todas as modalidades em Física, repre-sentando aproximadamente metade da carga horária necessaria para a obtenção do diplo-ma. O núcleo comum proposto a seguir, com os conteúdos curriculares essenciais, apre-senta 1200 horas.

Uma das inovações da nova LDB são os sequenciais (Art. 44, I), formados por um conjunto de disciplinas afins, que podem caracterizar especializações em algumas áreas. A aprovação em um sequencial possibilita o fornecimento de um certificado de conclu-são. Os sequenciais devem servir para catalisar cursos interdisciplinares, minimizando os problemas relativos à criação de currículos estanques e dificeis de serem modernizados. Devem também contribuir para a educação continuada. Os certificados de conclusão deverão atestar etapas cumpridas com qualidade, o que é saudavel para todos: alunos, IES e para a sociedade.

O núcleo comum é caracterizado por conjuntos de disciplinas relativos à física geral, matemática, física classica, física moderna e ciência como atividade humana. Estes con-juntos são detalhados a seguir.

A - Física Geral

Consiste no conteúdo de Física do ensino médio, revisto em maior profundidade, com conceitos e instrumental matemáticos adequados. Além de uma apresentação teórica dos topicos fundamentais (mecânica, termodinâmica, eletromagnetismo, física ondulatória), devem ser contempladas práticas de laboratório, ressaltando o caráter da Física como ciência experimental. Esta módulo é composto de, no mínimo, 300 horas de atividades em sala de aula ou laboratórios.

B - Matemática

É o conjunto mínimo de conceitos e ferramentas matemáticas necessárias ao tratamento adequado dos fenômenos em Física, composto por cálculo diferencial e integral, geome-tria analítica, álgebra linear e equações diferenciais, conceitos de probabilidade e estatís-tica e computação.Para este sequencial é previsto um mínimo de 300 horas de atividades em sala de aula ou laboratórios computacionais.

C - Física Clássica

São os cursos com conceitos estabelecidos (em sua maior parte) anteriormente ao Sec. XX, envolvendo mecânica clássica, eletromagnetismo e termodinamica. Este conjunto deve apresentar um mínimo de 240 horas de atividades em sala de aula ou laboratórios.

D - Física Moderna e Contemporanea

É a Física desde o início do Sec. XX compreendendo conceitos de mecânica quântica, física estatistica, relatividade e aplicações. Sugerida a utilização de laboratório. Total 240 horas.

E - Disciplinas Complementares

O núcleo comum precisa ainda de um grupo de disciplinas complementares que amplia a educação do formando. Estas disciplinas abrangeriam outras ciências naturais, tais como química ou biologia e também das ciências humanas, contemplando questões como ética, filosofia e história da ciência, gerenciamento e política científica etc. Total 120 horas.

6.2 Modulos Sequenciais

Estes módulos, definidores de enfase, deverão totalizar também cerca de 1200 horas/aula.

Físico-pesquisador - O conteúdo curricular da formação do físico-pesquisador (Bachare-lado em Física) deve ser complementado por sequenciais em matemática, física teórica e/ou experimental avançados. Esses sequenciais devem apresentar uma estrutura coesa e desejável integração com a escola de pós-graduação.

Físico-educador - No caso desta modalidade, os sequenciais estarão voltados para o ensi-no da Física e deverão ser acordados com os profissionais da área de educação quando pertinente. Esses sequenciais poderão ser distintos para, por exemplo, (i) instrumentali-zação de professores de ciências do ensino fundamental; (ii) aperfeiçoamento de profes-sores de Física do ensino médio; (iii) produção de material instrucional; ( iv ) capacitação de professores para as séries iniciais.

Físico-tecnólogo - O conteúdo curricular que completará a formação desse profissional será definido pela opção particular feita pelo estudante e também pelo mercado de tra-balho no qual ele deseja se inserir, dentro do elenco de possibilidades oferecidas pela IES (Instituto ou Departamento de Física). A cada escolha correspondera um conjunto de sequenciais diferenciado.

Físico-interdisciplinar: Esta categoria abrangerá tanto o Bacharelado como a Licenciatura em Física e Associada. Por Associada, entende-se a área (Matemática, Química, Biologia, Engenharia, etc) na qual os físicos possam atuar de forma conjunta e harmônica com es-pecialistas dessa área. Desta forma, poder-se-a ter, por exemplo, o Bacharel em Física e Química, ou Licenciado em Física e Biologia, ou Física e Comunicação. Para a definição dos sequenciais nessa modalidade haverá necessidade de aprovação pelas comissões de graduação da Física e da unidades de ensino da(s) Área(s) Associada(s) de conjuntos es-pecíficos de sequenciais. Deve-se notar que a modalidade Física e Química, por exemplo, não implica a modalidade Química e Física, pois a última será uma iniciativa da unidade de ensino da área Química que poderá ou não admitir essa categoria de profissional.

7. Duração dos Cursos

7.1 Carga horária

É sugerida uma carga horária minima, para a obtenção do diploma em qualquer das modalidades em Física, de 2400 horas de atividades em sala de aula ou laboratorios, de presença obrigatória.

Sugere-se também que, na confecção do currículo pleno pelas IES para qualquer das modalidades em Física, devem ser contempladas atividades acadêmicas extra- classe, vi-sando instrumentalizar os alunos em técnicas modernas de acesso à informação científica, aprendizado de procedimentos científicos e técnicos em estágios de diferentes tipos, etc..

7.2 Tempo de Integralização

7.2.1. Bacharelado e Licenciatura em Física (Físico-Pesquisador e Físico- Educador)

As modalidades em Física devem ter uma duração total de 4 anos, como tempo máximo de integralização de 8 anos.

A nova LDB percebe a existência de alunos com aproveitamento excepcional (Art. 47. 2.): Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos.poderão ter abreviada a duração dos seus cursos. Em vista disso, sugere-se que alunos com aprovei-tamento extraordinario posam concluir o curso em um mínimo de três anos.

7.2.2. Bacharelado e Licenciatura em Física & Associada

(Físico-interdisciplinar) e Bacharelado em Física Aplicada

(Físico-tecnologo)

Os Bacharelados e as Licenciaturas em Física & Associada e/ou Aplicada podem ou não ser cursados de forma continua (sem interrupção).

Quando cursado de forma contínua, a duração deve ser entre quatro e cinco anos, de-pendendo da composição entre as unidades que oferecem o curso. Novamente, alunos excepcionais devem poder completar o curso em um período mais curto.

No caso de matrículas em sequenciais, o prazo de integralização máximo para cada sequencial é igual ao dobro de sua duração estimada. Os sequenciais podem ser acumula-dos durante um certo periodo de anos (e.g., 10 anos), possibilitando a reciclagem de pro-fissionais do mercado de trabalho através dos cursos sequenciais.

8. Estruturação modular dos cursos

A existência de um núcleo comum e dos sequenciais já define per se uma estrutura modular para os cursos.

Alguns destes cursos poderão ter seu diploma fornecido através da obtenção de um conjunto adequado de certificados de conclusão de distintos sequenciais. Isto significa uma simplificação no processo de transferencias. Os cursos sequenciais não precisam ser concluídos todos na mesma IES, podendo virem a ser realizados em diversas IES e agru-pados na forma de um diploma.

O diploma seria expedido pela IES onde o aluno integrasse o currículo pleno. A passagem do núcleo comum para o módulo especializado dentro de uma dada IES dependerá do nú-mero de vagas disponíveis e seguirá um processo de seleção estabelecido pela própria IES, assegurando ao aluno vaga em pelo menos uma das especializações oferecidas pela IES. No caso em que o aluno deseje realizar o módulo especializado numa outra IES, sua aceitação dependerá de critérios de seleção estabelecidos pela IES receptora.

A critério da IES um aluno poderá cursar simultaneamente disciplinas do núcleo comum e de um ou mais módulos sequenciais.

Os módulos sequenciais poderão ser estruturados através de sub-módulos de modo a facilitar a educação continuada. A conclusão destes sub-módulos dará direito à obtenção de um Certificado de Conclusão.

9. Estágios e Atividades Complementares

Os estágios realizados em instituições de pesquisa, universidades, indústrias, empre-sas ou escolas devem ser estimulados na confecção dos currículos plenos pelas IES. To-das as modalidades de graduação em Física devem buscar incluir em seu currículo pleno uma monografia de fim de curso, associada, ou nao, a estes estagios. Esta monografia de-ve apresentar a aplicação de procedimentos científicos na análise de um problema especí-fico.

10. Conexão com a avaliação Institucional

As IES deverão submeter à SESu, oportunamente, um projeto pedagógico que se enqua-dre dentro destas diretrizes. Estes projetos serão avaliados pela Comissão de Especialistas de acordo com criterios previamente divulgados. A avaliação será periódica, incluindo, quando necessário, visitas aos cursos por comissões verificadoras.

Brasilia, agosto de 98

Marco Antonio Moreira (IF-UFRGS) - moreira@if.ufrgs.br

Jose David M. Vianna (IF-UFBA e UnB) - david@ufba.br

Fernando Cerdeira (IF-UNICAMP) - fernando@ifi.unicamp.br


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