MEDIDAS DE SEÇÃO DE CHOQUE RAYLEIGH

       Chama-se espalhamento elástico ao processo no qual um, fóton é espalhado com troca de momento, mas conservando sua energia. Tal processo, inicialmente estudado no caso da luz visível, recebeu o nome de espalhamento Rayleigh. Após o advento dos detetores semi-condutores de Ge-Li, na década de 60, que permitiam resolução em energia muito superior aos cristais de NaI, a área teve um grande impulso, aumentado pelo advento da revolução informática. Experiência e teoria avançaram em conjunto, permitindo que os dados experimentais, obtidos com precisão de até 3% pudessem ser descritos satisfatoriamente.

       Duas abordagens teóricas sobreviveram. A primeira, chamada aproximação de fator de forma, desenvolvida entre outros por Hubell e colaboradores aplica-se apenas a fótons de energias longe das bordas de absorção, pequenos momentos transferidos e baixas energias de ligação eletrônica. Tem a vantagem de ser facilmente calculável e de estar tabelada para todos elementos e energias.

       A segunda, muito mais elaborada e completa, foi desenvolvida em sua versão final por Pratt e colaboradores e baseia-se em teoria de perturbação de segunda ordem. Esta teoria demonstra uma concordância com dados experimentais em quase todo o espectro energético e para quaisquer elementos e momentos transferidos. Assim como o modelo anterior, só se aplica a átomos livres.

       O grupo da UFRJ trabalha com medidas de seção de choque diferencial para espalhamento elástico da radiação gama desde 1978 sendo que a maior parte das publicações do grupo é nesta área. Dois desses trabalhos (vide publicações) mostraram a ocorrência de efeitos de interferência em espalhamentos com baixo momento transferido, abrindo uma nova perspectiva para estudo do espalhamento de fótons de baixa energia e baixos ângulos (E= 59.54 keV em ângulos menores que 10 graus).